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11 de outubro de 2007

Refletindo sobre o evangelho

Jesus continua o seu caminho para Jerusalém. Neste caminho Ele passa entre a Samaria e a Galiléia (Lc 17,12) e encontra com os 10 leprosos que vieram ao seu encontro. Pela própria situação da doença, eles eram obrigados e viver fora da cidade e longe do contato com as pessoas (Lc 17,12; Lv 13,46). A lepra era uma doença que deixava uma marca profunda na vida da pessoa. Era considerada um castigo de Deus. Os leprosos eram obrigados a gritar para todos a sua própria realidade. O Livro do Levítico afirma: “Quem for declarado leproso, deverá andar com as roupas rasgadas e despenteado, com a barba coberta e gritando: Impuro! Impuro!” (Lv 13,45). Entre os 10 leprosos havia um samaritano (Lc 17,16). O relacionamento entre os judeus e os samaritanos não era muito bom. Mas aqui estão juntos e unidos, pois a própria situação de desgraça muitas vezes serve para unir as pessoas, ainda que inimigas.

Neste encontro com Jesus, os 10 leprosos, a certa distância, pararam e gritaram: “Jesus, mestre,tem compaixão de nós” (Lc 17,13). Jesus escuta os seus clamores, principalmente daqueles que sofrem uma doença, sobretudo uma doença, que segundo a Lei, deveriam viver fora do convívio social. E responde: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes” (Lc 17,14).

“Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados” (Lc 17,14). A cura acontece “enquanto caminham”. Este detalhe também é importante, pois se insere na longa viagem de Jesus a Jerusalém, onde será morto e ressuscitará e os discípulos teriam que fazer uma opção clara por Ele. Neste caminho os leprosos ficam curados da lepra. Somente o samaritano, considerado estrangeiro, percebendo a realidade de sua cura volta para agradecer a Jesus e dar glórias a Deus. Aproximando-se de Jesus atirou-se aos seus pés e lhe agradeceu (Lc 17,16). De fato, Jesus diz para ele: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou” (Lc 17,19). Lucas quer manifestar a alegria da cura com a expressão: “voltou glorificando a Deus com voz alta” (Lc 17,15). No seu Evangelho, a expressão “dar glória a Deus” é característica dos pobres que Jesus encontra em seu caminho, libertando-os da marginalidade e promovendo a dignidade humana (cf. 2,20: os pastores; 5,25: o paralítico; 13,13: a mulher encurvada; 18,43: o cego de Jericó; 23,47: o oficial romano).

No livro dos Reis, iremos encontrar a experiência de Naamã, que através do rito de mergulhar-se no Rio Jordão, ficou curado e purificado de todos os males (2Rs 5,14), depois volta para agradecer e reconhece que “não há outro Deus em toda a terra” (2Rs 5,15).

Um dado importante: na liturgia desta 28ª semana do Tempo Comum duas experiências bíblicas mostram como os enfermos buscavam a cura em pessoas denominadas “homens de Deus”. Assim aconteceu com Naamã 2Rs (5,14-17) e com os 10 leprosos (Lc 17,11-19). Naamã obedeceu “conforme o homem de Deus tinha mandado” (2Rs 5,14); no evangelho, os leprosos gritaram a Jesus, “homem de Deus”, suplicando a cura e compaixão (Lc 17,13).
O encontro com Deus, a experiência de ter sido tocado por Ele, através de um rito – banhar-se no rio (2Rs 5,14) – e, no caso de Jesus, – fazer uma caminhada (Lc 17,14) – despertam duas linhas de reflexão:

1. A primeira é a desconsideração dos que não voltam. Acreditavam que Jesus os poderia ajudar como de fato aconteceu, mas não se deram contam que Ele poderia transformar suas vidas, favorecendo neles a saúde espiritual, pilar de equilíbrio na existência humana.

2. A segunda linha está à resposta da fé, demonstrada pelos dois leprosos estrangeiros que foram curados, e expressam um reconhecimento de ação de graças, com ritos de adoração: Naamã volta e leva terra para adorar ao Deus verdadeiro, pois acreditava-se que Deus estivesse localizado num país (2Rs 5,15), e a prostração do samaritano curado aos pés de Jesus (Lc 17,16), reconhecendo que somente Deus é capaz de purificar totalmente, no corpo e no espírito.
A adoração, tanto da parte de Naamã como do samaritano são respostas concretas de quem reconhece que Deus age na vida e com ritos do cotidiano; não pagam com dinheiro, mas pela adoração. Adorar torna-se conseqüência de quem se encontra existencialmente com Deus, sem buscar ritos vistosos, mágicos, teatralizados ou teofânicos, mas através da simplicidade do rito de um banho ou de uma caminhada ao Templo. Deus não precisa de exageros para curar, apenas da fé de quem o busca para ser curado.

(enviado por frei João)