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8 de outubro de 2007

Refletindo sobre o evangelho

O Evangelho deste 27º Domingo do Tempo Comum situa no contexto do grande caminho de Jesus até Jerusalém. Nestes últimos domingos o Evangelho nos convidou a refletirmos sobre o perigo de colocar a segurança existencial em torno das riquezas e as “idolatrias do mercado”. Neste sentido, a liturgia deste domingo quer chamar atenção para a importância da fé como fundamento da vida cristã, a resistência aos apelos de um mundo que prega o “ter” acima do “ser” e a criação de condições visando a uma mentalidade servidora e fraterna na comunidade e na sociedade.

O texto do evangelho começa com uma súplica dos Apóstolos: “Senhor, aumenta a nossa fé!”. É bom lembrar que os Apóstolos estão caminhando com Cristo para Jerusalém. Neste itinerário, tiveram várias experiências e puderam fazer um discernimento e confrontar a própria vida, principalmente na atitude de seguir o Mestre. Certamente neste caminho difícil do discipulado eles estão sentindo o peso deste seguimento: estão vacilando, estão cansados e sentem a tentação de voltar atrás e de não estar mais com o Ele. Perceberam que a fé tinha que amadurecer. O que significaria este amadurecimento da fé em Jesus? Trata-se, antes de tudo, de autenticidade e lealdade para com Deus (= fidelidade / fé). Contudo, a adesão a Jesus implica a realidade de uma fé profunda, que se expressa na plenitude do amor. O Mestre responde que não se trata de ter “mais” ou “menos” fé. Não é questão de quantidade de fé, mas de qualidade. Ela deve ser genuína, como a semente que traz em si todas as potencialidades da árvore. A fé deve ser sempre aprofundada, alimentada, rezada, incorporada na vida; não deveria ser condicionada pelos contratempos da vida, situações pessoais que nos deixam “pra baixo”, situações externas da vida em comunidade.

Seria muito bom poder expressar a nossa fé só nos momentos alegres e festivos, nos momentos de sucessos e conquistas, nos momentos onde tudo está caminhando bem. Porém, como os Apóstolos, a comunidade cristã está a caminho de “Jerusalém”. E nesta caminhada muitas coisas (boas e ruins / encontros e desencontros) acontecem. A fé que recebemos de Cristo é um presente que precisamos cuidar. Muitas vezes precisamos resistir para não cairmos na tentação de desistir, de “abandonar o barco”, de deixar tudo e seguir outros caminhos que não os de Cristo e do Evangelho. A fé profunda pode ajudar a crescer na dimensão humana e espiritual; pode também ser utilizada como Remédio para superar as crises da Comunidade. E se for autêntica, mesmo pequena, poderá superar os maiores obstáculos.

Jesus, percebendo a inquietude dos Apóstolos, respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: arranca-te daqui e planta-te no mar, ela vos obedeceria.” (Lc 17,6).

Então o que seria a fé?

a. Um DOM GRATUITO DE DEUS... (que não conquistamos por nossos méritos...). - Exige de nossa parte UMA RESPOSTA VIVA E ATUANTE. O apóstolo São Tiago afirma: "A fé sem obras é morta". (Tg 2,17). Fé e ação devem andar sempre juntas. A fé, mesmo pequena, cresce e torna-se forte pelo cultivo da oração, da participação ativa na comunidade, pela prática da caridade, da justiça e pela vivência fraterna e solidária.

b. Não é apenas uma ADESÃO INTELECTUAL a umas verdades aprendidas na catequese, a uns ritos de religiosidade popular... Não é um recurso para conseguir determinadas coisas...

c. É, antes, uma ADESÃO DE VIDA ao Projeto de Deus. Um encontro pessoal com Deus, em Jesus Cristo. É aceitar realizar o plano de Deus em nós, fazer a vontade de Pai... É olhar o mundo, os acontecimentos, as pessoas com o olhar de Deus, com o olhar do Evangelho, com o olhar de “Discípulos e Missionários” de Jesus...

d. É uma ENTREGA TOTAL E GRATUITA... sem esperar direitos e privilégios. Nosso serviço e nossa fidelidade a Cristo são de filhos e não de assalariados. De fato, o Senhor não quer “funcionários”, e sim Discípulos que fazem uma opção definitiva por ELE e por Seu projeto de evangelização.

(enviado por fr. João)