ZENIT - O mundo visto de Roma

Fides News Português

Gaudiumpress Feed

8 de setembro de 2007

Ser discípulo

Todos os anos, a Liturgia renova o convite ao seguimento radical de Jesus. No Evangelho que estamos meditando, a proposta litúrgica é descobrir e tomar consciência sobre o sentido profundo de optar por Jesus e assim viver de modo pleno a liberdade. Mas isso só é compreendido do ponto de vista existencial por quem se deixa iluminar pela sabedoria do Evangelho.

Jesus está caminhando para Jerusalém. A sua presença por este caminho causa impacto e desperta o interesse pela busca do Reino de Deus. Desperta também uma curiosidade para segui-Lo. O texto nos diz: “Grandes multidões o acompanhavam” (Lc 14,25).

Seguimento e caminho são duas realidades que se completam, porque todo seguimento exige um caminho e todo caminho é feito para ser seguido. Muitas pessoas querem seguir e se encontrar com Jesus, estar com Ele. Porém a sua proposta é séria, exigente e complexa. Quando ELE vê uma multidão acompanhando-o em seu caminho, ele não se empolga e nem demonstra satisfação. Ao contrário, chama a atenção para a qualidade do seguimento. Deixa claro que o seguimento do discipulado não se realiza no anonimato das grandes aglomerações, mas pela opção pessoal e pelo compromisso com a cruz: “Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim não pode ser meu discípulo” (Lc 14,27 ). Transparece aqui a necessidade do empenho pessoal, de um salto de qualidade do cristão religioso para o cristão discípulo e discípula de Jesus, que vive iluminado pela luz do Evangelho. Na verdade, só poderá segui-Lo e identificar-se com Ele quem estiver disposto a assumir o seu projeto. Neste momento, surge um primeiro questionamento: Será que estamos seguindo o Mestre e nos identificando com o seu projeto de Evangelização?

Jesus coloca algumas condições para segui-lo:
1. O desapego afetivo, completo e imediato: pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e irmãs passam ao segundo plano. Só Jesus é prioritário (v. 26). O desapego exige algo mais: não só as pessoas mais íntimas e caras devem ser consideradas secundárias, mas até a própria vida. Em outras palavras, o desapego pressupõe o risco (cf. Ap 12,11: “Diante da morte desprezaram a própria vida”).
2. Disponibilidade para assumir a cruz (v. 27), ou seja, tornar próprias as disposições daquele que o precede, identificando seu projeto com o do Mestre. Jesus não temeu ser considerado um fora-da-lei pela sociedade estabelecida.
3. A renúncia de tudo (v. 33). É importante perceber que o texto fala da renúncia de todos os bens materiais como condição única para ser discípulo. Nota-se aqui, mais uma vez, que Jesus coloca como condição para ser seu discípulo aquelas relações de partilha e fraternidade existentes nas aldeias. Nelas, todos se ajudavam como podiam, não priorizando unicamente os próprios interesses (cf. 8,1-3).

Duas parábolas ilustram esta realidade do Evangelho:
a. Um RICO Senhor quer construir uma TORRE para proteger seus celeiros (Lc 14, 28-30)... O projeto requer sério planejamento e recursos econômicos...
b. Um REI está para declarar GUERRA (Lc 14, 31-32). Calcula as possibilidades do seu exército... senão negocia a paz...

Mensagem: Não se deixar levar pelo entusiasmo momentâneo, pelo contrário, calcular bem, se está em condições de perseverar...

Assim é a realidade do seguimento de Cristo. Seguir o Mestre não deve ser uma atitude passageira, nascida num momento de entusiasmo, mas sim uma decisão ponderada, amadurecida e coerente até o fim. A proposta está feita. Antes de iniciá-la é bom calcular se podemos chegar até o final, para ver se somos capazes de renunciar a tudo o que temos para seguir Jesus Cristo. Deixando de lado o aspecto difícil e doloroso dessa proposta, perceberemos ao menos que ela é séria e comprometedora, o que implica dizer que nem todo mundo irá aceitá-la.

Portanto, seguir a Cristo é um caminho exigente... A grande maioria do nosso povo já recebeu os Sacramentos (batismo, eucaristia, confirmação, matrimônio, etc...) e se diz cristão, reconhece os valores de Deus e da fé, mas muitas vezes na vivência deste seguimento deixa a desejar... falta o compromisso e a adesão pessoal. Que a experiência de aprofundar o mistério do encontro com o Cristo vivo nos ilumine cada vez mais, que venha a reforçar a nossa experiência de permanecer com Ele e trilhar os seus caminhos.

(partilha enviada pelo frei João)