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2 de setembro de 2007

Partilha do evangelho do domingo

O Evangelista Lucas, nosso companheiro de caminhada neste ano-C de 2007, quer apresentar a pessoa de Jesus que toma a decisão de caminhar até Jerusalém (9,51ss). No domingo passado nós vimos que: “Jesus atravessava as cidades, ensinado e prosseguindo o caminho para Jerusalém”(Lc 13,22). Desta maneira Jesus aparece como um viajante e hóspede, onde é acolhido pelas irmãs de Betânia (cf. 10,38-42: Marta e Maria). A partir deste momento, Lucas apresenta Jesus como Mestre: aquele que ensina como viver para participar do Reino de Deus e viver como discípulo do Evangelho.

Nos versículos (Lc 14, 3-6) Jesus discute o tema do Sábado: “é permitido curar no sábado ou não?... Depois lhes disse: quem de vós, se seu filho ou boi cair num poço, não tirará logo no sábado?” (cf. também Mc 2,27: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”).

- No texto em que estamos meditando Jesus é acolhido por um chefe dos fariseus em sua casa para uma refeição (Lc 14,1) em dia de sábado. A casa estava cheia de seus correligionários, não muito bem intencionados (Lc 14,2). Jesus vai “discutir”o tema do sábado. Naquele tempo o Sábado era um dia consagrado a Deus; portanto um momento para celebrar a vida que Deus quer para todos, e não simplesmente para alguns privilegiados.

No momento da refeição os convidados se reúnem em torno da mesa. Alguns assumem os primeiros postos, outros os últimos e, uma grande maioria fica excluída. A mesa é símbolo de comunhão, participação e partilha. “Jesus observou como os convidados escolhiam os primeiros lugares...” (Lc 14,7). Na qualidade de Mestre, Jesus aproveita a oportunidade para ensinar, contando uma parábola (Lc 14,8ss). Esta parábola, ensinada por Jesus, se referia a uma festa de casamento. Naquele tempo, para participar do banquete de casamento o protocolo designava rigorosamente os lugares. Se alguém se dirigisse para o último lugar para provocar a honra de ser chamado ao primeiro, estaria cometendo uma vaidade “muito refinada”.

Na parábola (Lc 14,8-14) Jesus chama a atenção para os seguintes pontos:

> Não ocupar os primeiros lugares... pois poderá acontecer de chegar alguém e pedir o seu lugar para dar a outro... e assim terás que ocupar o último lugar. (Lc 14,8-9)

> Ocupara o último lugar... aquele te convidou te dirá: “amigo, vem mais para cima...” (Lc 14,10).

> “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, etc... pelo contrário, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos... e serás feliz!” (Lc 14,12-13).

> Quem se eleva será humilhado... e quem se humilha será elevado.

> Os teus convidados não podem te retribuir....

O sentido profundo desta parábola ensinada por Jesus quer dizer que: no Reino de Deus, as pessoas devem estar numa posição de receptividade e não de auto-suficiência. Assim relacionando com o Banquete de Casamento seria importante pensar em convidar aqueles que não podem convidar de volta (= retribuir), pois só assim estaremos mostrando como verdadeiros filhos do Pai, que nos deu tudo de graça.

Assim entra o tema da humildade. Para entender o Reino de Deus precisamos de uma humildade muito grande. “Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade e assim encontrarás graça diante do Senhor. Muitos são os altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele revela os seus mistérios” (Eclesiástico 3,19).

Humildade (= húmus... homem da terra) é a consciência de ser pequeno e de ter que receber para poder comunicar. Quem é humilde não tem medo de ser generoso, pois é capaz de receber. Gostará de repartir, porque sabe receber; e de receber, para poder repartir. Assim, a pessoa humilde repartirá não para chamar a atenção para si, mas porque agradecido, compartilha com os irmãos os dons que recebeu.

Para pensar: Na perspectiva do Reino precisaria de um coração grande e humilde para captar os seus mistérios a partir de outra realidade: a da entrega, do serviço, da atenção aos menos favorecidos, do encontro de tu-a-tu com o Senhor Jesus (= Reino), da conversão da mente e do coração, de ser discípulo e missionário... pois o “maior entre vós seja o vosso servidor... quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado” (Mt 23,11-12).

(enviado por frei João)