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20 de setembro de 2007

Reflexão sobre o evangelho do domingo

O texto do Evangelista Lucas que estamos rezando e meditando neste ano do ciclo C, situa o relato no caminho de Jesus para Jerusalém, no qual vai instruindo e formando os seus discípulos. Neste caminho Jesus insiste em que os discípulos devem tomar um partido e uma decisão. Mas caminhar com Jesus não é nada fácil. Ele é muito exigente nas suas colocações e aponta para os discípulos e para todos os obstáculos, os desafios e as exigências do discipulado. Neste sentido ele conta mais uma parábola, - como as parábolas da misericórdia, Lc 15,1-31 > cf. 24º Domingo Comum – a história do “administrador infiel” (Lc 16,1).

A parábola do administrador infiel mostra que ele foi demitido do seu emprego por desviar muitos bens do seu patrão. Ele resolveu adotar a prática do peculato, que significa usar o dinheiro que não lhe pertence para proveito próprio. O que fez antes de sair? Diminuiu de várias pessoas a parte da dívida que lhe caberia. Uma pessoa devia 50 e tinha que pagar 80, 30 ficavam com ele. Renunciou a sua parte e fez assim muitos amigos. Seu interesse era ter alguém que o acolhesse depois de despedido. O patrão elogiou a esperteza do administrador. Assim poderemos perceber duas atitudes: 1. A esperteza nos negócios, tratada por Jesus de modo irônico que, no contexto do evangelho, é a enganação, a trapaça de prometer mais do que um bem pode realizar. 2. O uso do dinheiro injusto para fazer amigos (Lc. 16,9), que nada mais é do que a corrupção, corrompendo os devedores do patrão, alterando pesos e medidas, para se tornar debitado de favores. Neste administrador é o retrato de uma sociedade injusta, desonesta, que privilegia o individualismo, maltrata, oprime e domina o pobre (Am 8,4) e toda a sociedade.

A parábola está orientada para os discípulos (Lc 16,1) que precisam optar decididamente por Jesus, assumindo os riscos sociais e continuar o projeto de Deus. Como agir para não “perder a viagem” com Jesus a Jerusalém? Eles se encontram numa encruzilhada: urge optar, desprendendo-se, à semelhança do administrador infiel que “jogou tudo”. Essa opção implica:

– desprendimento: O administrador, na iminência de perder o cargo, desfaz-se do ilícito e do lícito. Assim devem ser os “filhos da luz” (cf. 14,33: “Qualquer um de vocês, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo”);

– partilha: O administrador privou-se do que era próprio, para beneficiar outros. Seu “dinheiro injusto” (Jesus o chama assim porque as fortunas encobrem, na maioria dos casos, uma injustiça social, cf. Amós, 8,4-7) é agora empregado na construção da fraternidade (v. 9).

– fidelidade: O texto insiste no termo fiel (“Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes...” Lc 16,10-11), que significa ser digno de confiança. Jesus confiará seu projeto aos que o seguem no caminho. Essa confiabilidade pressupõe estar isentos de usura em relação aos bens terrenos e abertos à proposta de partilha que vem do Reino, a fim de ser confiáveis em relação ao verdadeiro bem, que é a continuação da prática de Jesus (Lc 16,10-12);

– opção fundamental: O discípulo que não é desprendido, não sabe partilhar, não é digno de confiança, é incapaz de se decidir por Jesus.

O que nos chama a atenção é o fato de: “os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz” (Lc 16,8). Seria importante pensar e refletir sobre a nossa condição de batizados, discípulos e missionários de Jesus, e portanto seguidores da LUZ (= opção por JESUS) . “EU SOU A LUZ DO MUNDO, QUEM ME SEGUE NÃO ANDARÁ NAS TREVAS MAS TERÁ A LUZ DA VIDA” (Jo 8,12). Muitas vezes a nossa sociedade prefere “caminhar como se esta LUZ não existisse” e deseja influenciar os “filhos da LUZ”. Como cristãos batizados e como Igreja, formando um só corpo (1Cor12ss) e unidos num mesmo ideal, na mesma missão que é Evangelizar e construir uma sociedade justa, fraterna e solidária, nós temos um potencial grandioso para transformar esta nossa realidade segundo os critérios do Plano de Deus e do Evangelho. Assim, mesmo vivendo neste mundo, somos chamados a sermos sinais do Reino, porque a LUZ, que é Cristo, precisa brilhar no mundo das Trevas. E Jesus termina o Evangelho afirmando: “vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16,13).

(enviado por frei João)