ZENIT - O mundo visto de Roma

Fides News Português

Gaudiumpress Feed

29 de setembro de 2007

Partilha do evangelho do domingo

Antes de terminar a quarta etapa da viagem para Jerusalém, o evangelista São Lucas nos convida a meditar sobre a parábola do homem rico e do pobre Lázaro. Nessa “viagem” são apresentados os riscos e as exigências do ser cristão. A viagem de Jesus é, portanto, o caminho da comunidade, cujas opções e riscos são os mesmos do Mestre. A parábola é, pois, um convite ao discernimento, é uma provocação. A viagem de Jesus culmina em Jerusalém, onde será morto pelas autoridades políticas e religiosas, mas ressuscitará vitorioso.

O texto do Evangelho apresenta a Parábola do Rico e do pobre Lázaro. Vemos de um lado, o rico que esbanja luxo e requinte nas roupas finas e elegantes. De outro lado, Lázaro, que tem seu ponto de mendicância junto à porta do rico. A situação do pobre é de total marginalidade: está coberto de feridas (= impuro, cf. Jó 2,7-8) e faminto. O Pobre Lázaro Desejava matar a fome com o que caía da mesa do rico (Lc 16,21), isto é, “não as migalhas que caíam no chão, mas pedaços de pão que se usavam para limpar os pratos e enxugar as mãos e que depois se atiravam sob a mesa. Ferido no corpo e na dignidade, ele encontra solidariedade em Deus. De fato, é o único, em todas as parábolas, a ter nome. Lázaro significa Deus ajuda. Deus optou por ele.

A morte nivela a todos, mas a sorte é bem diferente: Lázaro é levado pelos anjos junto de Abraão (Lc 16,22).

A situação se inverteu: o rico está em tormentos e Lázaro junto de Abraão. Inicia, então, um diálogo entre Abraão e o rico. Este, por três vezes, chama Abraão de pai (Lc 16, 24.27.30) e Abraão o reconhece como filho (Lc 16, 25). Contudo, a filiação não é suficiente para obter a salvação. Importa, antes, uma prática que espelhe a misericórdia de Abraão.

O rico faz dois pedidos. O primeiro é que Lázaro molhe a ponta do dedo para refrescar a língua do rico (Lc 16,24).

O pedido é recusado porque “há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vocês, e nem os daí poderiam atravessar até nós” (Lc 16,26; cf. também 14,13-14).

O segundo pedido é que Lázaro seja enviado aos cinco irmãos do rico como testemunho, para que não tenham o mesmo fim (Lc 16, 28). Abraão responde dizendo que a Lei e os Profetas são suficientes para convencê-los (Lc 16, 29).

O rico não se convence. Ele crê que sejam necessários sinais extraordinários, como a ressurreição de um morto, para que os irmãos se convertam (Lc 16,30). A resposta de Abraão é taxativa: a ressurreição de um morto não será capaz de sensibilizar os ricos, se não forem sensíveis aos apelos de Moisés e dos Profetas. A afirmação insinua que a própria ressurreição de Jesus será para eles inútil, caso não abram a mão e o coração ao necessitado.

Seria importante fazer uma pergunta: Quem seriam os POBRES LÁZAROS de hoje?
Nestes últimos anos, quantos ricos esbanjam na fartura, enquanto pobres "Lázaros" continuam privados até das migalhas que sobram... Realidades como estas vemos diariamente nas ruas e na televisão... Escutar Moisés, os Profetas, o Evangelho favorece o desapego e abre os olhos às necessidade dos irmãos.

O Documento de Santo Domingo afirma:
"O crescente empobrecimento a que estão submetidos milhões de irmãos nossos, que chega a intoleráveis extremos de miséria, é o mais devastador e humilhante flagelo que vive a América Latina" (179).

O Evangelho em si não critica a riqueza... mas a injustiça que provoca na vida social quando esta se torna o único objetivo pessoa ou da sociedade. Uma sociedade que trabalha só pelo dinheiro, esquece a vida e a pessoa humana, classifica e cria uma classe social denominada de “sem poder de compra” ou, numa linguagem mais cruel, os “improdutivos” (pobres, doentes, idosos...) e enaltece somente ricos e bons consumidores. Bem diferente é a proposta divina, que se dirige para a sensibilidade fraterna: justiça aos oprimidos, alimento aos famintos, erguer os prostrados... (cf. salmo responsorial, 146/145).

(enviado por fr. João Carlos)