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23 de agosto de 2007

Reflexão sobre o evangelho

O Evangelista Lucas, indica que Jesus está caminhando para Jerusalém, por isso o Mestre “atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém” (Lc 13,22). Certamente a presença de Jesus pelos povoados causava impacto, curiosidade, pessoas que o abordavam e faziam suas perguntas e questionamentos. E o grande questionamento era este: “ Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” (Lc 13,23). Jesus não responde diretamente à questão, se são poucos ou não são poucos. Ele recomenda que se faça todo esforço para entrar pela porta estreita (Lc 13, 24).

O Evangelho fala de um grupo que chegou depois que a porta tinha sido fechada. Para poderem entrar, argumentaram que tinham comido e bebido com o dono da casa, e que o tinham conhecido quando ensinava nas praças da cidade. O argumento não convenceu o dono da casa, que disse não conhecer as pessoas daquele grupo. Pediu que fossem embora, porque praticavam a injustiça. Outros, porém, entrarão, vindos dos quatro cantos da terra. Não foram vizinhos do dono da casa, não o conheceram nas praças da cidade. Estão chegando no fim. São os últimos, que acabaram se tornando os primeiros, enquanto os primeiros se tornaram os últimos.
Um olhar mais profundo poderá encontrar no Evangelho dois grupos de pessoas:
Aquelas pessoas que se consideram salvos porque se alimentaram diante de Deus, louvaram o Senhor com hinos e orações e conhecem todos os mandamentos, porém não praticaram a justiça...

O outro grupo de pessoas são aquelas que conhecem os mandamentos, louvaram e se esforçaram para viver como discípulos e discípulas de Jesus, buscaram um caminho de conversão (da mente e do coração), praticaram a justiça de Deus, colocando em prática o Evangelho de Jesus.

Assim iremos perceber que para entrar pela porta estreita precisaria fazer um esforço muito grande. O Evangelho que estamos meditando esta semana propõe três esforços para entrar pela “porta estreita”:
1. Este primeiro esforço consiste em deixar um caminho, que pertence ao mundo, para entrar no caminho que conduz à Salvação. Contudo este esforço consiste em deixar um caminho para caminhar na estrada de Jesus; é o seguimento a Cristo (= ser discípulo...).
2. O segundo esforço é o ser educado por Deus. A carta aos Hebreus fala sobre esta realidade (Hb 12,5-7.11-13). De fato ela diz: “Meu filho, não desprezes a educação do Senhor...” (Hb 12,5). Esta educação de Deus é para “produzir frutos paz e justiça” (Hb 12, 11). Por isso é importante ser obediente a Deus (= atitude de escuta) e abandonar a mentalidade terrena e passar a pensar de acordo com a mentalidade do Evangelho.
3. O terceiro esforço seria não tratar a Deus como mágico; não basta conhecer trechos da Bíblia ou até mesmo vir à missa todos os Domingos; se a gente não viver de acordo com o Evangelho, aquilo que lemos na Bíblia e celebramos na missa se perde... É o esforço de tornar o Evangelho a luz da vida pessoal em cada um de nós.

O Caminho da Justiça... No Evangelho Jesus afirma: “Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça” (Lc 13,27). Assim não basta “cumprir” com as “obrigações” do católico. A justiça supõe sempre, em primeiro lugar, a qualidade dos relacionamentos humanos, isto é, tratar os outros com respeito porque somos todos filhos e criados à imagem e semelhança de Deus, isto é, do mesmo Pai que está no céu. Tal atitude é o sinal de que passamos da morte para a vida e que, portanto, estamos no agrado de Deus, ou seja, em sua graça.

Assim todo aquele/aquela que optar por um caminho mais estreito, certamente passará pela “porta estreita”; ao contrário, aquele/aquela que optar pelos caminhos que não são os de Jesus... O Senhor dirá: “Não sei de onde sois... ali haverá choro e ranger de dentes” (Lc 13,25.28). E o texto do Evangelho termina: “assim, há últimos que serão os primeiros e primeiros que serão os últimos” (Lc 13,30).

(enviado por frei João Carlos)