ZENIT - O mundo visto de Roma

Fides News Português

Gaudiumpress Feed

11 de agosto de 2007

Não temas pequeno rebanho

A Comunidade Cristã era uma minoria vulnerável, um “pequenino rebanho” (Lc 12,32). Porém a ela pertence o Reino, a comunhão com Deus. O texto a qual estamos rezando faz parte do ensinamento de Jesus sobre a riqueza (Lc 12,31-21). O discípulo deve estar livre, procurando só o tesouro junto a Deus. Jesus nos ensina a importância de estar vigilantes (Lc 12, 35-48). Deveríamos estar prontos para a volta do Senhor, que é o juízo sobre os diligentes e os despreocupados. Esta vigilância é a fidelidade no serviço confiado a cada um. A Vigilância não significa ficar de braços cruzados esperando a salvação acontecer, mas é preciso assumir um compromisso para o bem da comunidade (= Igreja > um povo de batizados). O Evangelista Lucas insiste na responsabilidade e no compromisso de cada um (Lc 12,47-48) na busca da vigilância e de conhecer verdadeiramente a vontade do Senhor. Quem conhecia esta vontade e, contudo não se preparou, será castigado severamente. Seria importante ver em que momentos o Senhor Deus em certos momentos da vida continua chamando a cada um de nós para participar de sua vida, do seu reino, do seu amor, da sua graça... e muitas não reconhecer esta chamada.
Lucas, para exemplificar esta experiência da “vigilância e de estar preparados”... coloca para seus leitores três parábolas:
· Os Servos que esperam o Senhor voltar do casamento (Lc 12,37)
· O Ladrão que chega de surpresa (Lc 12,39)
· O administrador fiel (Lc 12,42)
Estas parábolas ilustram a realidade de estar preparados e vigilantes, para que quando o Senhor voltar encontre um clima de oração, preparação... e assim perceber o “momento propício para se encontrar com o Seu Senhor. Na verdade o espírito de vigilância nem sempre é fácil. Exige que as pessoas enxerguem além das fronteiras. Certamente é mais fácil viver despreocupados e viver o momento presente... pois quem saberá quando o Senhor irá voltar? (Lc 12,45).
Para sustentar a atitude de ativa vigilância e solicitude pela causa do Reino do Senhor, é preciso um caminho de fé. A carta aos Hebreus (11,1-2.8-19) vem sustentar o espírito do evangelho. Neste sentido a fé é como possuir antecipadamente aquilo que se espera; é uma intuição daquilo que não se vê (Hb 11,1). O sentido original da fé não é adesão da razão a verdade inacessíveis, mas o engajamento da existência naquilo que não é visível e palpável, porém tão real que abarca toda a pessoa. O exemplo mais típico é o de Abraão, considerado por Paulo como o “Pai na fé”. Pela fé, Abraão obedece a Deus, deixa a pátria e parte para o desconhecido...; pela fé, acredita ter um filho... apesar da idade avançada...; pela fé, aceita a ordem divina de sacrificar Isaac; pela fé, caminhou pela vida como peregrino, sem desanimar, de olhos postos na pátria definitiva... (Hb 11,8-19).
Aos discípulos “temerosos”, encontraram em Jesus um ânimo e um espírito diferente: “Não tenham medo” (Lc 12,32). Em seguida, continua propondo a liberdade diante dos bens materiais. Se o Reino está garantido, não acumulem bens materiais. Partilhem com os outros. Acumulem e guardem seu tesouro no céu, onde os ladrões não podem roubar. Você sabe onde está o seu tesouro (Lc 12,34): está onde está o seu coração e seu coração está nas coisas que você valoriza. Aos Doze Jesus afirmou que: “foi do agrado do Pai dar a vós do reino” (Lc 12,32).
Os desafios do séc. XXI continuam... As lutas, corrupções, as traições, as infidelidades, as desintegrações familiares, as desarmonias, etc... Estas situações não devem abalar a fé dos discípulos (= comunidade). São momentos em que não devemos desanimar, pelo contrário, continuar acreditando, como fizeram Abraão, Sara e outros..., pois uma luz sempre se acende, diante de quem tem fé e esperança. E Jesus continua afirmando para a comunidade apostólica (= 12 Apóstolos): Não temas pequeno rebanho...

(enviado por frei João Carlos)