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3 de agosto de 2007

Evangelho do domingo: “Ser Rico para Deus”

A cena que o Evangelho conta é bem típica: briga de irmãos (Lc 12,13-14) sobre uma herança; querem que Jesus resolva. Ele não se interessa porque a sua missão é outra. O que para Jesus interessa é que a pessoa se converta aos valores do Reino. Assim Ele narra a parábola do rico insensato, que depois de uma boa safra achou que poderia descansar para o resto de sua vida e viver daquilo que recolhera.

O Livro do Eclesiastes diz: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (Ecl 1,2). A palavra “vaidade” poderia ser traduzida como falsidade, futilidade e insatisfação, etc. Será que a nossa sociedade do séc. XXI não estaria “promovendo” uma cultura da “vaidade”???

Mas a história do Evangelho (=parábola) nos convida sobre o perigo e a total “ambição”do homem em acumular bens materiais e esquecer o sentido pleno da vida. Quer acumular coisas materiais: herança, sucesso, safra, e descuida o ser rico nos valores do Reino. Jesus não quis denunciar o desejo de viver decentemente, mas a mania de colocar sua esperança nas riquezas desta vida, esquecendo de reunir tesouros junto a Deus. As riquezas não são um mal em si, mas desviam nossa atenção da verdadeira riqueza, a amizade de Deus, que alcançamos pela dedicação a seus filhos. Jesus, no texto da Escritura Sagrada, afirma que “a vida do homem não consiste na abundância de bens” (Lc 12,15). Ele ensina que a riqueza não garante nada, nem alegria nem felicidade e muito menos longevidade. Por isso que essa página do Evangelho merece ser lida muitas vezes por cada um de nós e pela sociedade que tanto “cultua a vaidade do TER”.

Neste sentido, o Evangelho em questão nos impulsiona a rever os nossos critérios. Precisamos acreditar que nossa vida é diferente daquilo que o materialismo e a sociedade de consumo (=capitalismo) nos propõe. São Paulo diz que: “esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo... aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres” (Cl 3,1-2). E ainda continua: “Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir, e vos revestistes do homem novo...” (Cl 3, 9-10). Assim, deveremos procurar “as coisas do alto”: o que é de valor definitivo, junto a Deus. Nossa vida já é dirigida por critérios diferentes. Embora sua figura plena ainda não seja visível. Por isso, o Cristão é incompreensível para o mundo. Ele mesmo, porém, deve compreender perfeitamente a precariedade dos “tesouros” deste mundo. Por ser “diferente”, ele será incompreendido e rejeitado. Por isso, precisa de uma firme fé na vida que é a do Cristo ressuscitado e de todos os verdadeiros batizados.

No final da Parábola, Jesus afirma: “assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” (Lc 13, 21). Ser rico, não para si, mas para Deus... Não amontoar riquezas que na hora do juízo serão as testemunhas de nossa avareza, injustiça e exploração (São Tiago, 5,1-6), mas riquezas que constituam a alegria de Deus.

Reflexão enviada por frei João Carlos