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27 de julho de 2007

Reflexão sobre o evangelho

Lc 11,1-13

No Evangelho de Lucas Jesus se apresenta como aquele que reza ao Pai, sobretudo nos momentos decisivos de sua vida. Um desses momentos (v. 1a) se insere na viagem do Mestre a Jerusalém (9,51-19,27), longo itinerário onde se forja o perfil do discípulo que caminha com ele.
Os discípulos sentem necessidade de uma oração que os caracterize: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou seus discípulos” (v. 1b). O fato marca, para os discípulos, a divisão entre o velho e o novo. Nasce assim, no Evangelho de Lucas, o “catecismo sobre a oração do cristão”.

O catecismo sobre a oração do cristão no Evangelho de Lucas consta de cinco elementos. Eles traduzem, para nós, o que é rezar. Os dois primeiros (v. 2) provocam à abertura para o Pai; os três últimos (vv. 3-4) conduzem à transformação das relações entre as pessoas.

• Santificado seja o teu nome (v. 2b). à (Melhor seria GLORIFICADO SEJA O VOSSO NOME...) Mais que um pedido, essa expressão revela o compromisso de quem entrou em comunhão com Deus. Encontramos aqui duas coisas importantes: a santidade e o nome de Deus, estreitamente relacionados entre si. A santidade de Deus se revela na presença do Reino atuante na pessoa de Jesus. Os cristãos já aprenderam que o novo nome de Deus é “Pai”. Santificar seu nome, portanto, é reconhecê-lo como aquele que age na humanidade. O mundo é sua família. As criaturas são seus filhos. Sua santidade não é o afastamento da nossa história, mas sua inserção em nossa caminhada.

• Venha o teu Reino (v. 2c). Também essa expressão fala do nosso compromisso com o Pai. O Reino de Deus – seu projeto – se tornou claro na vida e ações de Jesus. Pedir que o Reino venha significa, para os cristãos, abrir-se ao projeto de Deus... que é a busca da justiça, do amor, da paz, da fraternidade, da liberdade, da harmonia interior e exterior, etc...

• Dá-nos a cada dia o pão que precisamos (v. 3). A expressão “a cada dia” – própria de Lucas – fala da confiança incondicional dos cristãos no Pai, que destinou os bens do mundo para todos. Pedir a cada dia o pão que precisamos é, portanto, assumir a partilha como forma de realizar o Reino, traduzido na fraternidade: pão, terra, moradia, saúde, educação, vida para todos, até que a humanidade inteira reproduza o “paraíso” saído das mãos do Pai.

• Perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os que nos devem (v. 4a). Os cristãos partilham entre si o dom que Deus lhes fez: o perdão. Não traduzir nas relações humanas o perdão de Deus é tornar inútil e mentirosa a oração que Jesus nos ensinou. Não é possível rezar a Oração do Pai-nosso se não existir o perdão.

• E não nos deixes cair em tentação (v. 4b). A sociedade em que vivemos nos condiciona em torno do ter, do poder, da ambição, do prestígio e da idolatria (cf. as tentações de Jesus, Lc 4,1-13). Jesus, por sua vez, nos ensina a pedirmos ao Pai que não nos deixe cair nessas tentações que pervertem o projeto de uma sociedade cada vez mais justa e fraterna, onde todas as pessoas têm a mesma dignidade (= criados à imagem e semelhança de Deus – cf. Gênesis).

No mesmo texto de Lucas encontramos duas Parábolas que nos ajudam a completar a reflexão:
- A Primeira salienta a eficácia da Oração perseverante: O "Amigo inoportuno" é atendido: "Pedi e recebereis...” (Lc 11,9).
- A Segunda convida à Confiança em Deus: lembra o amor de pai para os filhos... "Se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem...” (Lc 11,13).

. Não basta rezar... mas devemos rezar como convém...
A Oração deve unificar a vida de um homem com Deus... Deve impregnar a vida de cada dia...
- Das orações comerciais: "dou, se me deres”?
- Dos decepcionados, quando não são atendidos?

. O Valor da Oração não está medido em condições.... Mas sim no espírito de FÉ e AMOR com que a fazemos...

REZAR: É um diálogo familiar com Deus, que brota de um ato de fé e de um ato de amor e que nos leva a entrar no Plano de Deus: "Seja feita a vossa vontade..."
REZAR: Não é apenas orar com os lábios, mas também com a inteligência, com o coração e com toda a nossa vida...

Estamos reunidos, porque acreditamos na Oração...
- Ela está marcando de fato a nossa vida, de modo a impressionar também os que aqui não vem, percebendo em nós a alegria de alguém se encontrou com Deus na oração?
- Seria importante perceber o valor das “comunidades orantes”, não só servem para afastar o mal e atrair a misericórdia divina – o que já é altamente benéfico para toda a terra – mas contribui também para aumentar o “vigor da alma e fazer viver” (Salmo 138/137) os enfraquecidos e amedrontados pela violência e pela força do mal. As “comunidades orantes” produzem confiança e a certeza de que Deus atenderá as súplicas, até mesmo quando as súplicas forem feitas nas horas mais inoportunas.

Se ainda não o conseguimos... Façamos nossa, a oração dos apóstolos: "Senhor, ensina-nos a rezar..."

frei João Carlos