ZENIT - O mundo visto de Roma

Fides News Português

Gaudiumpress Feed

7 de julho de 2007

Os discípulos, mensageiros da salvação

Cristo chama para enviar. Ser discípulo de Jesus não é privilégio para si, mas serviço para o reino de Deus. Jesus envia seus discípulos para "anunciar" que o reino de Deus está próximo.

A missão, anúncio de esperança

O homem aspira pela paz, mas faz a guerra; o homem quer ser amado e amar, mas de fato, muitas vezes, não é amado e não ama. O homem quer a justiça, a igualdade, mas comete injustiça, produz estruturas injustas e opressoras.

O homem, no íntimo do seu ser, é busca do Deus vivo, mas produz ídolos mortos, nega e recusa a Fonte.

O homem quer, em todos os níveis, a vida em plenitude, sem fim, e só encontra doença e morte.

O discípulo de Cristo anuncia que as contradições mais amargas da existência serão resolvidas, que as aspirações mais profundas do homem serão realizadas "por intervenção gratuita de Deus", de modo inesperado e inaudito, com a vitória completa sobre o mal. O que é impossível ao homem, é possível a Deus (1a leitura).

A salvação é anunciada e realizada em um mundo dominado pela lógica do pecado. Por isto, tem ela um momento negativo; a libertação de todas as forças demoníacas que alienam o homem de si mesmo e de Deus (evangelho).

Esta salvação, porém, não se fará abruptamente. 0 mal não será vencido imediatamente. Não será combatido com armas poderosas, através da força, como pensavam os judeus.

A cruz é a glória do missionário

O mensageiro da salvação se encontra no meio dessas forças demoníacas, "é como cordeiro no meio de lobos"; não há missão sem perseguição, sem sofrimento, sem cruz. A cruz é a "glória" do missionário e de todo cristão (2a leitura), porque o põe numa existência nova. A cruz "pelo reino de Deus", aceita com amor, é o "sinal" da vitória sobre o mal e a morte. Para o cristão, a certeza da sua ressurreição consiste em estar ele crucificado pela provação e a contestação. A provação, para são Paulo, não é só uma ascese, uma ocasião de vida moral, nem uma simples imitação da cruz de Jesus, mas é o lugar da esperança e da profecia do reino que vem, e que os mensageiros do evangelho proclamam com a palavra e a vida, para confirmar que o mundo novo já começou e é possível.

Sinais do mundo novo

À lógica do mundo velho eles opõem a lógica de Deus. Em um mundo de lobos, dominado pela agressividade, a sua presença é condenação radical da violência.

Num mundo em que o que define o homem "é o dinheiro que tem e as vestes que usa", vão os discípulos de Cristo vestidos pobremente, sem bolsas e bagagens, contentes com a hospitalidade que recebem. A proximidade do reino os dispensa de preocupar-se com o próprio futuro terrestre; sua pobreza tem sentido profético, assim como a cura dos doentes. O sinal de que o reino de Deus está presente é o fato de que o homem é libertado do pecado e suas conseqüências. Esta libertação, porém, é lenta e requer sofrimento, morte e paciência. Não é libertação triunfal, como imaginavam os judeus do tempo de Jesus.

O essencial não é o êxito, mas a fidelidade a Cristo

O anúncio cristão da salvação é um dos muitos sinais presentes no mundo contemporâneo. Cada um dos blocos em que está dividida a humanidade possui a própria visão da história e dispõe de uma força extraordinária de publicidade e propaganda para dar a conhecer aos "outros" a sua "boa nova" de salvação.

Mas a Igreja se apresenta para manifestar o anúncio com meios pobres. Se o faz sob o aspecto de "potência", é rejeitada pelo homem moderno. Sua mensagem, estritamente religiosa, fala, porém, a uma mentalidade preconcebida. Os homens do nosso tempo consideram como uma alienação o recurso ao Deus que salva. Aceitam a Igreja, antes como portadora de um ideal moral de fraternidade universal posto a serviço do homem no combate que se trava pela justiça e a paz.

Essa situação é motivo de perturbação para o cristão consciente de que a Boa-nova da salvação, adquirida em Jesus Cristo, jamais poderá reduzir-se a um ideal moral de fraternidade universal. Que fazer então? Fazer calar o autêntico evangelho à espera de dias melhores? não é possível! mas se não se pode calar a Palavra, onde, quando e como proclamá-la hoje? O que o Senhor nos pede é a fidelidade a ele, à sua mensagem e ao seu estilo de anúncio. Não nos garante o êxito.


MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembléia Cristã, pgs. 228-229, ©Paulus, 1995