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14 de julho de 2007

A cruz: resposta de amor

No alto do Calvário, crucificado, Cristo sentiu-se sozinho, abandonado e esquecido por todos, até por Seu Pai. Não tinha nenhuma resposta para Sua dor, nenhum consolo. Não tinha resposta nem para uma pergunta fundamental, que resumia toda a Sua perplexidade: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mt 27, 46). Naquela hora, como em toda a Sua vida, o Pai estava a Seu lado, participava de Sua dor e a acolhia. Permitia que Seu Filho vivesse uma experiência única: assumir em Seu coração toda a dor da humanidade, todo o Seu sofrimento e abandono, toda solidão e sentimento de inutilidade que qualquer pessoa, em qualquer época ou lugar, poderia enfrentar. Aqueles momentos foram sementes de vida; sementes de amor e amizade, de paz e solidariedade para os homens e mulheres de todos os tempos. Jesus passou por essa situação para que todos se sentissem menos sós; para que a dor de cada pessoa, sua experiência de solidão e abandono tivessem sentido o valor. E para que fossem, também, fonte de salvação para muitos. De vez em quando, Cristo convida outros a participarem de Seu abandono. Nessas oportunidades, não lhes dá resposta aos inúmeros porquês que se multiplicam em sua mente. Não é fácil, pois, amar uma situação assim. Torna-se, contudo, um pouco menos difícil quando Ele, o Crucificado, é lembrado. Ele, que pouco falou de dor, porque foi a própria Dor. Não discorreu sobre o abandono, porque foi o Abandonado. Não escreveu um tratado sobre a Cruz, mas tomou a Cruz que lhe ofereceram e subiu em direção ao Calvário. Sabia que lá a morte O aguardava. Mas Ele mesmo havia antecipado: "Quando Eu for levantado da terra, atrairei todos a Mim". E o evangelista completou: "Ele falava assim para indicar de que morte iria morrer" (Jo 12, 32-33). Sua morte seria uma verdadeira páscoa, isto é, prenúncio e garantia de Ressurreição. Também a semente precisa cair em terra e morrer, para que dela possa surgir a vida, e vida em abundância: "Em verdade, em verdade, vos dito: se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto" (Mt 12,24).

Muitas vezes não adiantará você perguntar por que diante de uma doença ou decepção, diante da morte de uma pessoa que lhe é muito querida ou de uma tragédia que se abate sobre a humanidade. É preciso, isto sim, pedir ao Pai que o enriqueça de amor e confiança, uma confiança e amor tais que o tornem suficientemente corajoso a ponto de se colocar em Suas Mãos, como Jesus, que depois de Sua pergunta sem resposta "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?", "deu um forte grito: 'Pai, em Tuas Mãos entrego meu espírito'. Dizendo isso, expirou" (Lc 23, 46).

Texto de D. Murilo S. R. Krieger, SCJ

Revista Brasil Cristão - Julho 2007

Refletindo com esse bonito texto, podemos, pela coragem de Jesus dizer: ABA PAI! PAPAI! PAIZINHO! Pois não somos como ovelhas que vagam sem saber pra onde, nós temos um destino, temos um Pai que nos chama e quer nos encontrar!

Paz meus irmão queridos! E que a Virgem Imaculada interceda por cada um de nós!