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9 de junho de 2007

Reflexão sobre a liturgia X Domingo TC

Ouvimos ou lemos notícias sobre a morte, todos os dias. Inocentes são mortos por balas perdidas, crianças são assassinadas friamente, mortos são quantificados em estatísticas de atentados. Estes dados, infelizmente, nem sempre nos espantam. A morte é uma realidade da qual queremos distância, na qual pensamos pouco e, contudo, todos os dias ela se apresenta diante de nós de algum modo. Assim aconteceu no tempo de Elias (1Reis, 17,17-24), no tempo do salmista (salmo, 30/29) e no tempo de Jesus (Evangelho).

A morte causa dor e sofrimento para quem valoriza a vida. Por isso, a figura da mãe ocupa o centro das narrações, no tempo de Elias (1 Reis, 17,17-24 e na experiência da Viúva de Naim, conforme o texto que estamos meditando. A mãe, geradora da vida, entra no mistério da morte de modo mais profundo porque a morte, seja o filho que for, sempre tira dela uma parte importante de sua existência. A mãe é o choro doloroso de quem ama a vida e precisa reagir com coragem redobrada diante da morte que destrói a vida na plena juventude. Na mentalidade do Antigo Testamento se considera a morte castigo de Deus, como dá a entender a viúva de Sarepta, em seu desabafo contra o profeta: “porventura, viestes à minha casa para me lembrares os meus pecados e matares o meu filho?” (1 Reis, 17,18).

Por onde passam, as procissões da morte vão deixando um rastro de tristeza e cantigas de luto. O choro e as lamentações das famílias são como orações implorando a Deus o consolo para a tristeza que despedaça o coração de quem ama e está de luto. Quase sempre, o desabafo misturando dor e confiança é grito silencioso de quem não tem mais palavras, mas suplica a proteção divina com as lágrimas do choro silencioso.

Em confronto com a morte agressora, a reação divina acontece pela valorização da vida através de “homens de Deus”, daqueles que trazem a força divina para o meio do povo e vencem a morte: Elias e Jesus. A ação divina que vence a morte tem a mediação humana, com a mensagem clara de que podemos promover a vida para impedir que o grito da dor e que procissões fúnebres continuem cruzando nossas cidades e entristecendo famílias. Para promover a vida, Deus visita o seu povo em Jesus e ensina que a compaixão e a ternura enxugam o choro provocado pela morte e oferece novas perspectivas para viver. Na visita de Deus, há um novo amanhecer, repleto de alegria (salmo 30/29).

O desejo de todos é frear a agressividade violenta da morte cruzando nossa sociedade. Para isso, existe sim um caminho: a exemplo de Paulo, é necessário mudar de mentalidade e acolher o Evangelho como regra de vida (Gal 1,11-19).

frei João Carlos Ribeiro, osm